Essa abstinência uma hora vai passar

Eu sei que não ficaríamos juntos para sempre (que para sempre?) e que o que nos mantinha juntos era diferente do que sempre é.
Eu sei do mal que eu permiti você me fazer, eu sei do que eu tive que aprender para estar com você em vão.
Eu sei que esse descarte momentâneo vai durar, sei que o que eu sinto eu sinto por amar.
Mas o que eu faço com essa pressão no peito quando eu lembro do seu nome?
Faço o que com essa fisgada no ego que sempre me dá quando eu penso no dedinho da sua mão engatando no bolso de outro cara?
Eu faço o que com a certeza que nunca aconteceu?
Com os nossos restos debaixo da minha cama, com os teus desenhos na minha parede que nunca serão terminados ou apagados.
Com a lágrima que cai agora na porra dessa tela enquanto eu me derramo em palavras que nunca vão alcançar seus olhos ou ouvidos.
Eu faço o que com esta merda toda?
Desse nó sobra eu, aflito e só.

É segunda-feira, amor.

Bem, como você tá?
Eu levo aqui, quieto, tudo o que sinto.
Ainda se faz o mesmo temporal.
Fujo de mim, mesmo esgotando os lugares onde me esconder.
Parei de tirar os sapatos na hora de mergulhar, sou mais sujo do que a sujeira da rua, das pessoas.
Não vi você chegar e não te vi sair.
O muro que você levantou continua aqui.
Chamei gritando por você por dias ao pé dessa parede sem porta.
Minhas palavras sempre tão hábeis, não encontram mais caminho para fora de mim.
Que tal um café? Sem açúcar ainda?
Ainda me lembro.
Não posso mais estar caso você queira me amar, hoje não vai dar. Mas é sem querer.
Meus demônios batem em minha porta de dentro para fora todos os dias. E para variar você não está aqui.
Quer mais um café?

– Para ajudar tua analista: me desculpa.